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06.11.2025 às 22:19 - Atualizada em 15.11.2025 às 19:56
Lula na Cúpula do Clima: “É hora de encarar a realidade e decidir se teremos coragem e determinação para transformá-la”
Na abertura do encontro de chefes de Estado que antecede a COP30, em Belém, presidente ressalta papel fundamental da ciência e reforça que é o momento de as lideranças deixarem claro se estão prontas para enfrentar as consequências da mudança do clim
Assessoria
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Ao discursar diante de chefes de Estado, líderes e representantes de dezenas de nações na abertura da Cúpula dos Líderes da COP30, em Belém, nesta quinta (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a conferência realizada pela primeira vez num país amazônico pretende inaugurar um novo paradigma em relação ao enfrentamento da mudança do clima. Para ele, a ciência deve ser o principal guia das decisões e é chegado o momento de as lideranças deixarem claro que estão prontas para o desafio posto. “Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos” “Esta Cúpula de Líderes é uma inovação que trazemos ao universo das COPs. As convergências já são conhecidas. Nosso objetivo será enfrentar as divergências. Provamos que a mobilização coletiva gera resultados. Por isso, a COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, afirmou, durante o evento que antecede a conferência do clima da ONU, que tem início na próxima segunda-feira, dia 10. Para Lula, a agenda climática deve ocupar lugar central nas discussões em todos os níveis do cenário internacional. “Deve estar no centro das decisões de cada governo, de cada empresa, de cada pessoa. A participação da sociedade civil e o engajamento de governos subnacionais será crucial. Acelerar a transição energética e proteger a natureza são as duas maneiras mais efetivas de conter o aquecimento global”, afirmou. O caminho, segundo o presidente, exige superação de dificuldades e contradições em nome de um bem comum. “Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, prosseguiu Lula. DESCOMPASSOS – Na opinião do presidente, o avanço na agenda climática passa pela superação de dois descompassos: a desconexão entre os salões diplomáticos e o mundo real e o descasamento entre o contexto geopolítico e a urgência climática. “Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades sociais e econômicas e degradação ambiental. Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam a atenção e drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente”, disse Lula. DESIGUALDADES – Em outro ponto, o presidente enfatizou que não é possível triunfar na agenda climática sem combater desigualdades sociais. “A justiça climática é aliada do combate à fome e à pobreza, da luta contra o racismo, da igualdade de gênero e da promoção de uma governança global mais representativa e inclusiva”. MULTILATERALISMO – O líder brasileiro reforçou ainda a posição em defesa do multilateralismo, ao colocar a cooperação internacional como elemento indispensável do combate à mudança do clima. “O ano de 2025 é um marco para o multilateralismo. Celebramos os oitenta anos da fundação da Organização das Nações Unidas e os dez anos da adoção do Acordo de Paris. A força do Acordo de Paris reside no respeito ao protagonismo de cada país na definição de suas próprias metas, à luz de suas capacidades nacionais. O regime climático não está imune à lógica de soma zero que tem prevalecido na ordem internacional”, alertou.
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