26.02.2026 às 09:08
Maria Luiza Galeão Medeiros Lacerda Costa Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Tradicionalmente associado ao envelhecimento, o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, já não é mais uma doença restrita à população idosa. Dados recentes indicam um aumento consistente de casos em pessoas com menos de 50 anos, fenômeno observado no Brasil e em outros países1.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a previsão é que o Brasil registre cerca de 53.810 novos casos de câncer em 2026. Entre esses, o câncer colorretal deve ocupar a terceira posição na lista dos mais comuns no país, ficando atrás apenas dos cânceres de mama e próstata, sem contar os cânceres de pele não melanoma1. No cenário mundial, os tumores de cólon e reto também estão entre os mais frequentes, com uma estimativa de aproximadamente 1,9 milhão de novos casos estimados em 2022, representando cerca de 9,6% de todos os tipos de câncer1.
Em meio a essa mudança no perfil da doença, a campanha Março Azul ganha ainda mais relevância ao reforçar a importância da prevenção, do rastreamento e do diagnóstico precoce, além do tratamento adequado e da adoção de hábitos de vida que comprovadamente reduzem o risco da doença.
Em 2025, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia atualizou suas recomendações e passou a destacar seis pilares essenciais para a prevenção do câncer de intestino: manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes, verduras e fibras; controlar o peso corporal; praticar atividade física regularmente; não fumar; garantir ingestão adequada de água — em média, até três litros por dia — e preservar o hábito intestinal regular, evitando constipação persistente, com evacuações ao menos a cada 48 horas2.
De acordo com o Dr. Thiago Jorge, Coordenador de Tumores Gastrointestinais do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, as pessoas não dão importância há alterações nos hábitos intestinais e quando buscam por ajuda médica, já apresentam a doença em estágios mais avançados. “É importante conhecermos nossos hábitos intestinais e ao notar qualquer alteração no formato e coloração das fezes, na frequência e sangramento na evacuação. A perda de peso sem causa aparente e dor abdominal frequente são sinal de alerta de que algo não vai bem com a saúde do intestino”, afirma.
A colonoscopia, principal exame de rastreamento para o câncer colorretal, é recomendada a partir dos 45 anos para pessoas assintomáticas e sem histórico familiar da doença. Em casos de fatores de risco ou antecedentes na família, a investigação pode começar mais cedo. Segundo o especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o aumento de diagnósticos em pessoas mais jovens reforça a necessidade de atenção aos sintomas e de acompanhamento médico regular, mesmo fora da faixa etária tradicionalmente associada ao rastreamento.
“Quando identificado nas fases iniciais, o câncer de intestino apresenta altas taxas de cura. O maior desafio ainda é fazer com que as pessoas não ignorem os sinais do próprio corpo e busquem avaliação médica no momento certo”, destaca o Dr. Thiago Jorge.
Em um cenário de crescimento da doença entre adultos mais jovens, informação, prevenção e diagnóstico precoce seguem sendo as ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto do câncer colorretal no Brasil.
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