12.03.2026 às 09:31 - Atualizada em 12.03.2026 às 09:40
Lilian da Cruz Café Santa Monica
O consumo de café no Brasil registrou queda de 2,31% entre novembro de 2024 e outubro de 2025, passando de 21,9 milhões para 21,4 milhões de sacas de 60 kg, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). A retração ocorre em um cenário de pressão sobre os preços, com reajuste médio de 5,8% ao consumidor final.
Ainda assim, o hábito permanece consolidado: o país segue como o segundo maior mercado mundial e lidera o consumo per capita, com cerca de 1,4 mil xícaras por habitante ao ano.
Nesse contexto, especialistas observam uma mudança mais sutil no comportamento de compra. Ao investir mais na bebida, parte do público passa a avaliar melhor suas escolhas e demonstrar maior interesse pela procedência e pelas características sensoriais do produto. Ganham espaço, assim, os chamados cafés especiais — categoria formada por grãos que atingem pontuação mínima de 80 pontos em critérios internacionais de qualidade, avaliados por atributos como aroma, equilíbrio, doçura e harmonia de sabores.
Para Marcelo Moscofian, CEO do Café Santa Monica, o cenário atual não representa perda de relevância da bebida, mas uma transformação na forma de consumo. Apesar da redução no volume total, o faturamento da indústria cresceu 25,6%, alcançando cerca de R$ 46,24 bilhões, impulsionado pelos preços mais elevados nas gôndolas, sinal de um mercado que permanece forte, ainda que mais criterioso. “A bebida continua presente na rotina, mas o consumidor está mais atento ao que escolhe. Existe maior disposição para experimentar e entender diferenças, o que aproxima o café especial do dia a dia”, afirma.
Esse movimento dialoga com a trajetória do Café Santa Monica, que completa 40 anos e acompanha a transformação do mercado. “Sempre acreditamos que o brasileiro poderia optar por cafés melhores no dia a dia. Hoje percebemos mais curiosidade em entender origem e sabor, e é gratificante ter acompanhado essa evolução”, lembra Arthur Moscofian Jr., fundador da marca.
Segundo o produtor, o momento favorece uma relação mais atenta com a bebida. “Quando a compra deixa de ser automática, as pessoas passam a perceber aroma, sabor e equilíbrio. O café especial não precisa ser complexo; a diferença está na qualidade do grão e no cuidado com o preparo”, afirma.
Como começar a explorar cafés especiais
Para quem ainda não experimentou cafés especiais, Arthur Moscofian Jr, fundador do Café Santa Monica, sugere provar a bebida inicialmente sem açúcar, prática que ajuda a perceber aromas e características naturais do grão. Segundo ele, o açúcar ou adoçante pode mascarar nuances sensoriais e dificultar a identificação do sabor original. “O café já possui doçura própria. Quando a pessoa experimenta sem açúcar pela primeira vez, começa a entender melhor o que está na xícara”, afirma.
Outra forma de iniciar essa descoberta, segundo o produtor, é experimentar diferentes microlotes e origens. “Quando comparamos cafés de regiões distintas, fica mais fácil perceber como fatores como altitude, terroir e processamento influenciam aroma, acidez e corpo da bebida. Essa experiência ajuda o consumidor a desenvolver o paladar gradualmente, mesmo sem conhecimento técnico prévio”, explica. “Perfis sensoriais mais equilibrados, frequentemente associados a notas achocolatadas, leve presença de amêndoas e dulçor natural, costumam tornar essa primeira experiência mais acessível para quem começa a explorar novos sabores”, finaliza.
Sobre o Café Santa Monica
O Café Santa Monica é pioneiro na produção de cafés especiais no Brasil. Com vocação para excelência e inovação, a marca mantém cafés acima de 82 pontos, incluindo microlotes premiados de até 87 pontos. Reconhecida com o Selo Prata do Paladar (Estadão) como um dos melhores cafés em grãos do país, a empresa alia constância, sustentabilidade e qualidade. Os cafés especiais com grãos 100% arábica são cultivados em Machado, no Sul de Minas Gerais, com torrefação na Mooca, em São Paulo. Fundada há 40 anos por Arthur Moscofian Junior, a empresa atualmente está na sua terceira geração. Hoje, o Café Santa Monica fornece para grandes companhias e redes como Amazon, Carrefour, Sam's Club, Pão de Açúcar, Mercado Livre e possui distribuição nacional e internacional.
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