08.04.2026 às 06:57
Beatriz Garcia Conteúdoink - Pro Matre Paulista
A combinação entre outono, tempo seco e maior permanência em ambientes fechados acende um alerta para os cuidados com a saúde respiratória de gestantes, recém-nascidos e bebês pequenos. Nesse período, o ressecamento das mucosas e a maior circulação de vírus respiratórios aumentam o risco de infecções, o que exige atenção especial com medidas de prevenção como vacinação, hidratação, higiene das mãos e ventilação dos ambientes.
Entre os agentes que mais preocupam nesta época do ano está o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), diretamente associado a casos de bronquiolite e pneumonias em bebês, especialmente nos primeiros meses de vida. Por isso, a proteção começa ainda na gestação, com a vacinação materna, e pode ser reforçada com a imunização dos recém-nascidos, justamente no período de maior circulação viral.
“O VSR é um dos vírus que mais preocupa nesse período do ano porque está diretamente associado a casos de bronquiolite e pneumonias em bebês, que muitas vezes exigem atendimento hospitalar. A bronquiolite, inclusive, é a principal causa de internação por doenças infecciosas do primeiro ano de vida. A vacinação da gestante contra o vírus é uma estratégia importante, porque permite que o bebê receba anticorpos ainda durante a gestação e já nasça com proteção nos primeiros meses de vida. Além disso, contamos também com um imunobiológico específico que pode ser aplicado logo ao nascer ou até o segundo ano de vida, ampliando a prevenção justamente na temporada de maior circulação do vírus”, explica Dr. Lívio Dias, infectologista da Pro Matre Paulista.
Além da imunização, o período pede atenção redobrada com ambientes fechados e pouco ventilados, onde partículas virais tendem a permanecer por mais tempo e aumentar a chance de contágio. Durante a gestação, esse cuidado se torna ainda mais importante, já que o organismo passa por adaptações fisiológicas relevantes e pode ficar mais vulnerável a intercorrências respiratórias.
“A recomendação principal é priorizar locais arejados, manter janelas abertas sempre que possível para garantir a renovação do ar e considerar o uso de máscara em locais de grandes aglomerações. Essas ações reduzem de forma importante o risco de contrair infecções respiratórias que podem afetar o bem-estar da gestante e, indiretamente, o desenvolvimento do bebê”, orienta Dr. Livio.
A atenção se justifica também porque quadros respiratórios mais intensos durante a gravidez podem funcionar como gatilho para desfechos indesejados. Infecções virais, crises de asma e processos inflamatórios sistêmicos aumentam o estresse fisiológico materno e podem comprometer a oxigenação, elevando, em alguns casos, o risco de parto prematuro e de ruptura prematura de membranas. Quando essa redução de oxigenação se mantém, também pode haver impacto no desenvolvimento fetal, com restrição de crescimento e baixo peso ao nascer.
Por isso, o acompanhamento pré-natal, o controle adequado de comorbidades e a busca por avaliação médica diante de sinais de alerta, como febre persistente, falta de ar, piora progressiva dos sintomas ou desidratação, tornam-se medidas ainda mais importantes nos meses de maior circulação de vírus respiratórios.
No caso dos recém-nascidos e bebês pequenos, a prevenção envolve proteger um sistema imunológico ainda em desenvolvimento. Mesmo com o avanço da vacinação e dos imunobiológicos, os cuidados do dia a dia continuam fundamentais para reduzir a exposição a agentes infecciosos e diminuir o risco de complicações.
“É importante evitar levar o bebê a ambientes fechados ou com aglomerações desnecessárias, priorizando a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% antes de qualquer contato. Os pais e os demais contatos do bebê devem manter as vacinas contra outras doenças em dia, especialmente contra a influenza, coqueluche e COVID-19. Também é recomendado evitar que visitas toquem no rosto ou nas mãos da criança. e manter brinquedos e superfícies de uso frequente sempre limpos, porque essas barreiras simples ajudam a reduzir o risco de infecções como bronquiolite e pneumonia”, afirma o especialista.
Outro ponto que merece atenção nos dias de tempo seco é a hidratação. Com o ar mais seco e temperaturas mais amenas, a sensação de sede costuma diminuir, mas isso não significa que o organismo esteja precisando de menos líquidos. Ao contrário: a perda de água e o ressecamento das mucosas continuam acontecendo e podem comprometer uma das principais barreiras naturais de defesa do corpo.
Quando as mucosas das vias aéreas ficam desidratadas, perdem eficiência na proteção contra a entrada de vírus e bactérias. Por isso, manter a ingestão regular de líquidos é uma medida simples, mas importante, tanto para gestantes quanto para adultos e crianças no convívio com o bebê.
“Beber água com regularidade, mesmo sem sede imediata, ajuda a manter a fluidez do muco e a eficiência das defesas do organismo. É uma medida simples, mas muito eficaz para reduzir o risco de complicações respiratórias nesse período de transição climática”, conclui Dr. Livio.
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