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Notícias / Serviços

02.06.2026 às 13:52

Como a costura se reinventa e gera oportunidades na economia criativa

Muito longe de ser profissão do passado.

Stephanie Romero SESC - Fecomércio - SENAC

A costura está longe de ser uma profissão do passado. Em um cenário em que consumidores buscam produtos personalizados, sustentáveis e com identidade própria, o trabalho artesanal ganha espaço como ferramenta de geração de renda, empreendedorismo e transformação social. Esse foi o tema do episódio 45 do Senacast, podcast do Senac MS, que recebeu a educadora, empreendedora social e costureira Ivani Grance, idealizadora da República das Arteiras.

Em conversa com Jaque Altenhofer, especialista em Produção de Moda e Comunicação, Ivani compartilhou sua trajetória de mais de três décadas na costura e explicou como nasceu a República das Arteiras, iniciativa que começou como um coworking de moda e hoje se consolidou como uma plataforma de apoio à profissionalização de costureiras, artesãs e empreendedores criativos de todo o país.

A história do projeto está diretamente ligada à própria experiência da fundadora. Costureira desde jovem, Ivani buscou qualificação profissional, ingressou na universidade e passou a estudar os desafios enfrentados pela categoria. O contato com projetos de geração de renda no terceiro setor fortaleceu a percepção de que o trabalho coletivo poderia abrir novos caminhos para profissionais que atuavam de forma isolada.

“Eu me construí como costureira coletivamente. A maior parte do que aprendi veio das costureiras mais antigas. Sempre tive esse desejo de trabalhar junto, de agrupar pessoas e fortalecer a profissão”, relata.

A República das Arteiras surgiu inicialmente em Campo Grande, mas ganhou dimensão nacional após a criação de uma plataforma digital durante a pandemia. Atualmente, reúne mais de 170 profissionais e permite que costureiras de qualquer região do Brasil divulguem seus serviços e tenham acesso a uma comunidade voltada à capacitação em áreas como gestão financeira, marketing, empreendedorismo e atendimento ao cliente.

Ao abordar os desafios enfrentados pelas profissionais da área, Jaque questionou quais competências precisam ser desenvolvidas além da técnica da costura para garantir a sustentabilidade dos negócios.

Segundo Ivani, um dos principais desafios da categoria não está na técnica da costura, mas na gestão dos negócios. Muitas profissionais dominam o fazer artesanal, mas encontram dificuldades para precificar corretamente seus serviços, identificar seu público-alvo e posicionar-se no mercado.

A entrevistada destacou que a valorização da produção artesanal acompanha uma mudança de comportamento dos consumidores, cada vez mais atentos à sustentabilidade, à origem dos produtos e à exclusividade das peças. Nesse contexto, práticas como o upcycling — reaproveitamento criativo de materiais para a produção de novos itens — ganham relevância e criam oportunidades para profissionais da moda.

“O upcycling é uma oportunidade de renda e um mercado em crescimento. Existe demanda por mão de obra especializada e por profissionais que consigam transformar criatividade em produto com valor agregado”, explica.

A conversa também explorou os impactos das novas tecnologias, e Jaque falou sobre o avanço da inteligência artificial e da automação, Ivani compartilhou sua visão sobre o futuro da profissão: embora reconheça que processos industriais estejam cada vez mais automatizados, ela acredita que a criatividade humana continuará sendo um diferencial insubstituível.


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