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Notícias / Cultura

02.06.2026 às 16:37

Intelectuais negras defendem novas formas de enfrentar o racismo durante lançamento de obra de CRIOLA no Rio

Evento marcou o lançamento do livro Construindo Futuros sem Racismo, reunindo mulheres negras ativistas e pesquisadoras para discutir racismo estrutural, políticas públicas e perspectivas de transformação social

Myllena Reis CRIOLA

CRIOLA, organização de mulheres negras, lança livro Construindo Futuros sem Racismo, obra construída a partir de uma série de encontros, debates e reflexões promovidos pela organização, entre 2023 e 2026. O livro conta com a parceria da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e apoio do Instituto Ibirapitanga. O evento reuniu cerca de 80 participantes e apresentou, como parte da programação, um diálogo entre a pensadora afro-caribenha Yuderkys Espinosa-Miñoso e a ativista, publicitária e diretora de arte, Neon Cunha, com mediação da fundadora e coordenadora geral de CRIOLA, Lúcia Xavier.
 

O lançamento marca uma etapa do projeto Ampliando o Protagonismo das Mulheres Negras por um Futuro sem Racismo e pelo Bem Viver, desenvolvido desde 2023 por CRIOLA. A iniciativa promoveu espaços de cocriação e construção coletiva voltados à elaboração de estratégias para enfrentar o racismo estrutural e fortalecer a participação de mulheres negras na formulação de políticas públicas, agendas de transformação social e novas estratégias para alcançar o Bem Viver.
 

Durante a abertura, Lúcia Xavier destacou que o livro nasce de um processo político e intelectual construído coletivamente para enfrentar as limitações das políticas públicas existentes e ampliar os repertórios disponíveis para a construção de uma sociedade mais justa.
 

“A construção deste livro parte do entendimento de que não basta reconhecer os problemas. Era preciso criar novos repertórios para compreender como o racismo organiza a vida cotidiana e impede que sonhos, desejos e necessidades sejam plenamente reconhecidos. O que estamos propondo é uma ruptura com essas estruturas, para que possamos construir caminhos concretos para uma vida digna e para o Bem Viver das mulheres negras”, afirmou Lúcia Xavier.
 

Ao longo do encontro, as participantes debateram a necessidade de imaginar futuros que ultrapassem as estruturas de exclusão historicamente impostas à população negra, especialmente às mulheres negras. A obra reúne contribuições de intelectuais, ativistas e pesquisadoras que participaram dos encontros promovidos pela organização nos últimos anos.
 

Para Neon Cunha, o principal legado do encontro está na capacidade de inspirar novas possibilidades de existência e ampliar horizontes para as próximas gerações.
 

“Mais do que influenciar, este encontro é sobre inspirar. É sobre redimensionar a vida, repensar o que entendemos por responsabilidade e fortalecer uma responsabilidade afetiva que nos conecte com nossos sonhos. Eu costumo dizer que o sonho dá sentido ao medo. Estar ao lado de mulheres negras com trajetórias tão diversas é uma forma de nos inspirar no presente e, ao mesmo tempo, antecipar o futuro que queremos construir”, disse Neon Cunha.
 

A intelectual dominicana Yuderkys Espinosa-Miñoso ressaltou que a construção de um mundo sem racismo exige reflexão permanente, articulação entre diferentes gerações e disposição para imaginar novos caminhos políticos e sociais.
 

“Foi uma conversa entre mulheres de diferentes trajetórias e gerações que compartilham o compromisso de construir um mundo sem racismo. Esse é um desafio permanente, um chamado que precisa continuar mobilizando pessoas e pensamentos. O diálogo nos permite ir além das respostas que temos hoje e abrir novas janelas para imaginar futuros que ainda não estão dados”, afirmou Yuderkys Espinosa-Miñoso.
 

O evento também contou com debate aberto ao público e apresentação da publicação. A obra reúne reflexões produzidas ao longo do projeto desenvolvido por CRIOLA, organização das mulheres negras, e busca contribuir para a formulação de políticas públicas, práticas institucionais e estratégias coletivas voltadas ao enfrentamento do racismo e à promoção do Bem Viver.
 

Segundo a organização, o livro integra um processo mais amplo de fortalecimento do protagonismo das mulheres negras e de construção de alternativas para uma sociedade baseada na dignidade, na justiça racial e na ampliação de direitos.
 

SOBRE CRIOLA

CRIOLA é uma organização da sociedade civil fundada em 1992 e conduzida por mulheres negras. Atua na defesa e promoção de direitos das mulheres negras em uma perspectiva integrada e transversal, tendo por missão trabalhar para a erradicação do racismo patriarcal cisheteronormativo, contribuindo com a instrumentalização de meninas e mulheres negras, cis e trans, para a garantia dos direitos, da democracia, da justiça e pelo Bem Viver.

 

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