Caracol / MS Quarta-feira, 15 de Abril de 2026

Escolha sua cidade

Campo Grande Água Clara Alcinópolis Amambai Anastácio Anaurilândia Angélica Antônio João Aparecida do Taboado Aquidauana Aral Moreira Bandeirantes Bataguassu Batayporã Bela Vista Bodoquena Bonito Brasilândia Caarapó Camapuã Caracol Cassilândia Chapadão do Sul Corguinho Coronel Sapucaia Corumbá Costa Rica Coxim Deodápolis Dois Irmão do Buriti Douradina Dourados Eldorado Fátima do Sul Figueirão Glória de Dourados Guia Lopes da Laguna Iguatemi Inocência Itaporã Itaquiraí Ivinhema Japorã Jaraguari Jardim Jateí Juti Ladário Laguna Carapã Maracaju Miranda Mundo Novo Naviraí Nioaque Nova Alvorada do Sul Nova Andradina Novo Horizonte do Sul Paraíso das Águas Paranaíba Paranhos Pedro Gomes Ponta Porã Porto Murtinho Ribas do Rio Pardo Rio Brilhante Rio Negro Rio Verde de Mato Grosso Rochedo Santa Rita do Pardo São Gabriel do Oeste Selvíria Sete Quedas Sidrolândia Sonora Tacuru Taquarussu Terenos Três Lagoas Vicentina

Notícias / Elas por Elas

08.03.2026 às 12:22 - Atualizada em 08.03.2026 às 17:09

Estupro coletivo no Rio reforça retrato da insegurança feminina no mês da mulher

Advogada criminalista analisa como o planejamento digital do crime e o perfil dos agressores mostram a realidade da violência de gênero no Brasil

Camila Oliveira - Beatriz Torrecilia Mendes Moneta Comunicação

O estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro, investigado pela Polícia Civil, expõe a persistência da violência contra mulheres no país e reacende o debate sobre segurança feminina às vésperas do Dia Internacional da Mulher.

Para a advogada criminalista Mariana Rieping, especialista em Crimes de Gênero e membro da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB, o caso revela falhas estruturais no enfrentamento desse tipo de crime e demonstra que a resposta do Estado precisa ir além de campanhas de conscientização.


“Enquanto a sociedade se prepara para distribuir flores e mensagens de empoderamento no dia oito, uma adolescente de 17 anos foi estuprada por um grupo de jovens que planejou o crime em um aplicativo de mensagens. A premeditação demonstra que, embora as leis tenham avançado com a tipificação do estupro coletivo, a mudança cultural necessária para combater o machismo ainda é um desafio distante”, afirma a especialista.


Planejamento digital e o mito do agressor desconhecido


As investigações e os pedidos de quebra de sigilo telefônico apontam que a atitude foi combinada em grupos de WhatsApp. “A organização do ato, realizada em redes sociais, refuta a tese de que a violência sexual ocorre de forma impulsiva. A análise dos fatos sugere que o crime foi um ato de dominação intencional", analisa Mariana.


O perfil dos acusados também acende um alerta sobre as estruturas sociais. Os suspeitos são rapazes com acesso a um ensino privilegiado, e um deles é filho de um subsecretário de estado, que foi afastado do cargo após a repercussão. Segundo a advogada, isso funciona como um recado institucional necessário.


"Pensamos ingenuamente que o criminoso sexual seja um monstro marginalizado, mas ele pode muito bem ser alguém que convive entre nós e, pior, com nítida sensação de impunidade e intocabilidade. Ele se camufla na dita “normalidade”. Seu perfil desafia o estereótipo conhecido, mostrando que pode estar inserido em qualquer círculo social", ressalta.


Coação absoluta e o risco da revitimização


Para classificar o crime, é preciso analisar como tudo aconteceu. Embora o caso não possa ser enquadrado como “estupro de vulnerável”, já que a vítima tem 17 anos, ele é considerado estupro porque foi cometido com violência e ameaça. "Uma adolescente, sozinha, cercada por vários homens, está praticamente encurralada. A diferença de forças elimina qualquer possibilidade de resistência, configurando a grave ameaça", pontua a criminalista.


A Justiça precisa agora, de acordo com a advogada, proteger a moça de questionamentos públicos sobre sua atitude ou a roupa que usava, situações recorrentes em episódios do tipo. "É preciso acolher antes de interrogar. Infelizmente, a tendência de uma sociedade machista é colocar a vítima no banco dos réus. Cabe à Polícia Civil, ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e, especialmente, aos advogados atuarem como um escudo contra isso. O foco da investigação deve ser exclusivamente a conduta criminosa dos rapazes, e não o comportamento passado de uma adolescente de 17 anos", defende Mariana.


Confissão espontânea e o peso da lei


Após o avanço das apurações, os suspeitos se entregaram à polícia e foram encaminhados para celas separadas. A confissão espontânea é uma atenuante prevista no Código Penal e uma estratégia de defesa comum para demonstrar cooperação. No entanto, a advogada alerta para os limites desse benefício. "A gravidade do estupro coletivo e a crueldade pesam muito mais do que o ato de se entregar quando já se está pressionado pela investigação", esclarece.


As consequências também são diferentes para cada um devido à presença de um menor de idade no grupo. Juridicamente, o adolescente não comete crime, mas ato infracional. "Enquanto os adultos responderão na Vara Criminal e estarão sujeitos a penas altíssimas de reclusão no sistema penitenciário, o adolescente responderá na Vara da Infância e Juventude. Dada a violência e a gravidade do ato, a medida socioeducativa aplicável é a internação, que tem limite máximo de três anos", conclui Rieping.

 

Comentários
informe o texto a ser procurado
Voltar ao topo