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Notícias / Consumidor

10.06.2026 às 05:28

Ciência no prato e desinformação na tela: quais os impactos das fake news nas escolhas do consumidor?

Setor de biscoitos, massas alimentícias, pães e bolos industrializados tem o desafio de ser o filtro e incentivar a produção de conteúdo idôneo

Assessoria Abimapi

Em uma era de paradoxos, onde o acesso à informação é sem precedentes, o consumidor brasileiro fica vulnerável à desinformação. Uma pesquisa do DataSenado mostra que sete em cada 10 brasileiros já viram alguma notícia falsa. E quando o assunto são alimentos, existe um vácuo entre a produção científica e o entendimento do grande público, espaço que vem sendo rapidamente ocupado por conteúdos alarmistas e sem curadoria nas redes sociais.


 

De acordo com Luciana Contarini, Diretora de Comunicação e Marketing da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados), o distanciamento entre a academia e o consumidor final gera um ruído perigoso. "A ciência é cautelosa, utiliza termos técnicos e exige contexto. Já a fake news é rápida, alarmista e simplista. Entre um artigo científico denso e um vídeo de 15 segundos com afirmações infundadas sobre alimentos industrializados, o algoritmo das redes sociais já escolheu o vencedor antes mesmo de o usuário terminar de ler o título", explica.


 

Para a entidade, o medo de consumir determinados produtos nasce, na maioria das vezes, do desconhecimento sobre os rigorosos processos da indústria brasileira, considerada uma das mais reguladas do mundo, além de ser a grande responsável por garantir o abastecimento em um país de dimensões continentais.


 

“Os alimentos industrializados são alimentos seguros e legítimos do ponto de vista nutricional, são desenvolvidos sob controles de qualidade, rastreabilidade e padronização, assegurando composição consistente, segurança sanitária e conformidade com critérios técnico-científicos e regulatórios. Os princípios de preparo e os ingredientes do pão e do macarrão, por exemplo, são semelhantes na indústria e quando feitos em casa. Porém, na indústria existe maior controle, eficiência, segurança e pode haver a inclusão de ingredientes que os deixam mais equilibrados em termos nutricionais”, explica Claudio Zanão, presidente- executivo da Abimapi.


 

O papel da inteligência artificial e dos algoritmos


 

A urgência de uma comunicação transparente ganhou novos contornos com a digitalização da jornada de compra. Dados da pesquisa AI na Jornada de Compra, realizada pelo Google & Ipsos e apresentados por Cássio Brandão, Líder para as indústrias de Foods, Beverages, Personal Care, Retail Pharma e Governo do Google Brasil, durante o 19º Congresso Internacional das Indústrias Abimapi, revelam que 82% dos brasileiros já utilizam Inteligência Artificial e 57% a aplicam diretamente no momento de decidir suas compras.


 

"Como o algoritmo é quem está conversando diretamente com o consumidor, a indústria precisa ser transparente e disponibilizar informações estruturadas e idôneas sobre seus produtos", avalia Luciana. "O desafio da Abimapi é atuar como um filtro e estabelecer parâmetros confiáveis nesse mar de conteúdos sem curadoria, educando consumidores e fortalecendo as indústrias."


 

Debate global e iniciativas práticas


 

A cientista de alimentos norte-americana Kantha Shelke defendeu a viabilidade e a importância de enriquecer produtos industrializados durante o Congresso. A especialista reforçou que é possível promover nutrição por meio de ingredientes que complementam uma dieta equilibrada com a praticidade e a eficiência exigidas pela vida moderna.


 

"Os alimentos à base de grãos são a plataforma mais econômica do planeta para entregar densidade nutricional em todas as faixas de renda. A nutrição de qualidade não deve ser um privilégio, é um direito humano básico. A estratégia de reformulação não é um movimento defensivo, é um exercício ofensivo de construção de marca porque, hoje, a transparência é o novo padrão de mercado", afirma Kantha.


 

"Para combater as fake news na alimentação, é preciso construir uma base sólida de conhecimento. Quando o público compreende que o biscoito, o pão, as massas e os bolos industrializados que chegam à sua mesa são resultados de ciência aplicada, segurança e compromisso nutricional, o fato ganha. A comunicação transparente é o melhor ingrediente para uma alimentação consciente", finaliza Luciana.


 

Sobre a Abimapi

Uma das maiores associações alimentícias do país, a Abimapi representa mais de 110 empresas que detêm cerca de 80% do setor e geram mais de 260 mil empregos diretos. No Brasil, os produtos estão presentes em 100% dos lares brasileiros. Sua missão é fortalecer e consolidar as categorias de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados nos cenários nacional e internacional.

 


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