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Notícias / Brasil

18.08.2026 às 14:30

OAB SP apresenta ao STF conjunto de reformas para o Judiciário

Carolina Stanisci GBR Comunicação

Fruto de 12 meses de trabalho, documento propõe mandato de 12 anos para ministros do STF, redução da competência criminal do STF, regulação da Justiça digital, medidas para melhorar os serviços judiciários nos fóruns de primeira instância, além de outras medidas de efetividade do contraditório judicial
 

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção de São Paulo (OAB SP) entrega ao Supremo Tribunal Federal (STF) um conjunto articulado de propostas para ampliar a eficiência, a transparência e a acessibilidade do sistema de Justiça brasileiro. O documento, que será também encaminhado nesta semana ao Congresso Nacional e ao Conselho Federal da OAB (CFOAB), é o resultado de 12 meses de trabalho da Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário, instituída pela OAB SP em junho de 2025. O relatório final reúne cinco propostas de emenda à Constituição (PECs), projetos de lei, proposta de resolução e apoio institucional a proposições já em tramitação no Congresso Nacional.

 

Para a Comissão, defender a independência do Judiciário e propor seu aperfeiçoamento são movimentos complementares. As propostas foram construídas por meio de diálogo institucional, com pesquisa junto à advocacia paulista, interlocução com o sistema de Justiça, debates com a magistratura e contribuições da sociedade civil.

 

“A reforma do Judiciário é uma agenda que não pode mais ser adiada. Este documento é uma contribuição concreta para esse debate, construído com base técnica e independência. A sociedade mudou, e as instituições precisam ter capacidade de acompanhar essas transformações, modernizando-se sem perder sua independência e sua função essencial para a democracia”, afirma o presidente da OAB SP, Leonardo Sica.

 

As propostas estão organizadas em cinco eixos: integridade, morosidade, estabilidade da jurisprudência, acesso à Justiça e papel do STF e do CNJ.

 

Sustentação oral, colegialidade e Justiça digital

 

Entre as propostas está um projeto de lei que cria uma sessão preparatória para a sustentação oral, realizada antes da elaboração do voto pelo relator. A medida busca fazer com que os argumentos da advocacia possam influenciar a formação do voto e fortalecer o contraditório e a colegialidade. O projeto também estabelece critérios mais restritos para decisões monocráticas.

 

Já a PEC da Justiça Digital estabelece parâmetros constitucionais para o uso da tecnologia na Justiça e prevê, como direitos do cidadão, audiência presencial com o juiz da instrução e sustentação oral síncrona. A proposta também prevê audiências de instrução presenciais, salvo concordância das partes, e preserva o atendimento presencial nas comarcas.

 

Fortalecimento das instituições

 

Entre as PECs está a proposta de ampliar a diversidade no quinto constitucional, com mínimo de 50% de mulheres e 20% de pessoas negras, e a representatividade no CNJ, com maior participação de cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada.

 

A PEC da Indicação e do Mandato propõe mandato de 12 anos para ministros do STF. Já a PEC da Competência Criminal transfere aos Tribunais Regionais Federais o julgamento originário de processos criminais contra parlamentares e governadores. Para o CNJ, a Comissão propõe ainda dissociar as presidências do STF e do Conselho e limitar o poder normativo do órgão.

 

O relatório também consolida o Código de Conduta para Tribunais Superiores e o Código de Ética Digital, iniciativas já apresentadas pela OAB SP.

 

A Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário reúne os presidentes honorários da OAB SP, Patricia Vanzolini, e do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto; os ex-ministros do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie Northfleet e Antonio Cezar Peluso; os ex-ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior; a cientista política Maria Tereza Sadek; o jurista Oscar Vilhena Vieira e a professora Alessandra Benedito, ambos da FGV Direito SP.

 

Leia aqui o documento completo que reúne as propostas da OAB SP para a Reforma do Judiciário.


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