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Notícias / Educação

12.04.2026 às 05:13

Inglês na infância: qual é a melhor idade para começar a estudar?

Especialista explica como o aprendizado varia ao longo do tempo e o que os pais devem considerar na hora de escolher um curso

Guilherme Panucci 203 Comunicação

Os pais, preocupados em oferecer a melhor formação para o desenvolvimento dos filhos, procuram organizar a rotina e avaliar quais atividades extracurriculares incluir no dia a dia dos pequenos. Entre esportes, música e reforço escolar, o curso de inglês costuma aparecer como uma das principais escolhas. Ao mesmo tempo, surge a dúvida: existe uma idade certa para começar a aprender um novo idioma?

 

Diferentemente dos adultos, que possuem uma rotina mais intensa com trabalho, estudos e outras obrigações, as crianças costumam ter mais tempo livre, indicando que esse período pode ser o ideal para aprender um novo idioma. Mas isso não significa que elas aprendem inglês mais rápido. Na verdade, o aprendizado acontece de maneira diferente, e não necessariamente em menos tempo, visto que o ensino infantil deve respeitar o ritmo e a maturidade dos pequenos e, assim, o progresso costuma ser gradual e contínuo.

 

De acordo com um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology), divulgado em 2018, crianças que começam a aprender inglês por volta dos 10 anos de idade podem atingir níveis de fluência semelhantes às que iniciaram ainda na primeira infância. Ainda assim, especialistas destacam que o contato com o idioma pode e, muitas vezes, deve começar antes.

 

“Não há nenhum malefício em começar a aprender inglês na infância. Pelo contrário, as crianças têm um cérebro muito mais preparado para o aprendizado, com maior plasticidade e capacidade de absorção”, explica Bruna Iubel, Gerente Pedagógica e professora da rede de idiomas inFlux. “Além da língua, elas desenvolvem habilidades cognitivas importantes, como memória, raciocínio e atenção”.

 

Com o cérebro em pleno desenvolvimento, as crianças têm alta capacidade para adquirir novas informações e aprender com naturalidade, sendo mais receptivas a novos sons, padrões e formas de comunicação. Segunda a especialista, contudo, é necessário que haja um alinhamento de expectativas para entender o que esperar em cada faixa etária, evitando frustrações e garantindo uma experiência positiva.
 

Como funciona o aprendizado em cada faixa etária?

Na primeira infância, dos 0 aos 3 anos, o aprendizado acontece principalmente pela assimilação de sons. Nesta fase, Bruna destaca que os bebês conseguem assimilar e ouvir com clareza os sons de 600 consoantes e 200 vogais - os quais compreendem as línguas de todo o mundo.

 

“É uma capacidade incrível, mas que é perdida muito rapidamente. Nessa idade, o bebê está completamente preparado para assimilar qualquer som que ele escute, de qualquer língua, mas não falamos de aulas de inglês no formato tradicional e sim de vivências no idioma”, explica.
 

Entre 4 e 5 anos, temos um período de muita interação social, quando as crianças já começam a brincar entre si e já possuem um maior domínio da língua materna, com um repertório para conseguir manter uma conversa. Nesse estágio, Bruna ressalta que a criança ainda não consegue, de maneira intencional, “aprender o inglês”.

 

“O contato com o idioma passa a acontecer de forma mais lúdica, por meio de brincadeiras e interações. A criança ainda não aprende de forma consciente, ela vivencia o idioma enquanto brinca, com vocabulário simples e situações do cotidiano”, ressalta.

 

Nesse estágio, é importante ressaltar que o aprendizado do inglês sempre estará atrasado em relação ao da língua materna. “O ensino da segunda língua foca em questões mais simples, como nome de animais, objetos do dia a dia, número e cores, e não compreende a elaboração de frases mais longas”, explica. “O ponto de atenção é que ainda não podemos esperar a fluência, pois as crianças não têm a mesma exposição ao inglês, como na língua nativa. De forma geral, o tempo de contato é muito menor, por isso é importante um alinhamento de expectativas nessa fase”.
 

Já dos 6 aos 8 anos, há um avanço significativo. “Esse é um momento muito interessante, porque a criança já tem maior capacidade cognitiva e consegue começar a formar frases e pequenos diálogos. Aqui, conseguimos trabalhar com expectativas mais concretas em relação ao aprendizado”, pontua.
 

Com a mudança do Ensino Infantil para o Fundamental, há uma transição para um modelo escolar de aulas tradicional e não apenas lúdico. Isso significa, na prática, que a criança já tem uma capacidade de absorção de conteúdo muito maior. Nessa idade, a criança já se comunica perfeitamente na sua língua materna. Segundo Bruna, esse é o momento mais interessante para falarmos do ensino de inglês, com expectativas maiores em relação à fluência.

 

A importância da metodologia

Além do alinhamento de expectativas, a escolha da metodologia do curso é outro ponto de atenção para os pais e responsáveis. Especialmente na faixa etária a partir dos 6 anos, o método de ensino se torna essencial e deve oferecer um ambiente seguro, divertido e apropriado, com o aprendizado voltado para estruturas reais de comunicação, com frases e diálogos que façam sentido para a criança.
 

“A ideia é que a metodologia não ensine apenas palavras soltas, mas grupos de palavras completos, os quais chamamos de ‘chunks’, que são expressões cotidianas utilizadas pelos nativos para se comunicar. Se a metodologia prover isso, o ensino permite alcançar o potencial máximo da faixa etária, fazendo com que a criança consiga entender muito mais em inglês e produzir pequenos diálogos”.

 

A interação social, seja com o professor ou as outras crianças, também é um ponto de destaque para os pais que estão pensando em matricular seus filhos em um curso de inglês. Segundo Bruna, a interação é justamente o que possibilita o aprendizado:

 

“Uma dúvida comum entre os pais é se assistir a desenhos em inglês é suficiente para aprender uma língua. O recurso pode ser um complemento, mas não substitui o contato direto”, ressalta. “Os desenhos ajudam na fixação, mas o aprendizado acontece principalmente por meio da interação humana. Sem isso, a criança dificilmente desenvolve a comunicação no idioma”.

 

A especialista também ressalta que o apoio da família também é fundamental durante todo o processo de aprendizagem. “Quando os pais participam, celebram conquistas e incentivam os filhos a persistirem, o aprendizado se torna mais significativo e duradouro. Demonstrar interesse, ouvir os filhos falarem inglês em casa, brincar junto com eles e valorizar cada avanço faz toda a diferença”, finaliza.


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