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Notícias / Brasil

10.05.2026 às 06:28

Dia das Mães representa risco bilionário ao setor elétrico brasileiro

Entenda como datas comemorativas em que brasileiros se reúnem podem acarretar em prejuízos significativos ao mercado energético do país

João Victor Varella Ricardo Viveiros & Associados Oficina de Comunicação

Nesta data, 10 de maio, enquanto milhões de brasileiros irão se reunir para celebrar o Dia das Mães, o setor elétrico viverá momentos de pressão de proporções bilionárias. Durante datas celebrativas como essa, em que muitas famílias se juntam em um único espaço, o consumo acaba extremamente reduzido, gerando um cenário de risco para o mercado.

Graças à diferença entre produção e demanda elétrica no dia da celebração, assim como em outras, como Dia dos Pais, Natal e Ano Novo, por exemplo, o setor convive com a possibilidade dos cortes no abastecimento, que já renderam, somente no ano passado, um prejuízo de R$ 6,5 bilhões ao país, de acordo com levantamento da Volt Robotics.

Nestas datas, além das empresas e indústrias em geral utilizarem menos eletricidade, as pessoas também consomem menos luz em suas residências, o que leva a demanda nacional a patamares mínimos. Sendo assim, os cortes na geração energética precisam acontecer a fim de evitar sobrecarga nos circuitos e preservar a segurança e confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Chamado de curtailment, o processo restritivo tem se tornado cada vez mais comum e amplo no Brasil, intensificando o risco de gerar prejuízos ainda maiores para o setor. Isso porque, desde dezembro do ano passado, está em voga novas restrições que também incluíram as usinas classificadas como Tipo III, passando a englobar as de biomassa, dentro da possibilidade de corte.

De acordo com Newton Duarte, presidente-executivo da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia), a adição da bioeletricidade na possibilidade de curtailment gera uma ameaça de perdas energéticas e financeiras ainda mais pesadas nesses feriados. “Quando o corte acontece num ciclo de cogeração, temos duas frentes afetadas. Pelo fato de atuarem na cogeração de energia elétrica e térmica concomitantes, as infraestruturas apresentam poucas condições de flexibilizar sua produção, tornando praticamente impossível se adequar a geração mínima, ou mesmo nula em cenários críticos, de exportação ao SIN sem comprometer a produção agroindustrial. Sendo assim, o grande ponto é que a contenção nesse caso cria o risco de prejuízos ainda mais significativos, uma vez que incluem os processos industriais, colocando em xeque uma conta ainda maior”, alerta o especialista.

Sobre a Cogen
A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), criada em 2003, atua de forma institucional para impulsionar a Geração Distribuída no Brasil, com foco em cogeração a partir de biomassa, gás natural e biogás. Reúne 80 associados que representam toda a cadeia de cogeração no Brasil. A entidade desenvolve estudos técnicos e dialoga com órgãos governamentais para aprimorar a regulação do setor. Além disso, promove conexões estratégicas e oportunidades de negócios entre empresas com interesses comuns, fortalecendo o ecossistema de cogeração no país.

 

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